Manuel “Parte Côco” acusado de roubo e violação sexual na Beira; suspeito nega e diz ser namorado da vítima


Manuel “Parte Côco” acusado de roubo e violação sexual na Beira; suspeito nega e diz ser namorado da vítima

Um caso que está a provocar grande debate na cidade da Beira envolve Manuel conhecido por “Parte Côco”, acusado de roubo, agressão física e violação sexual contra uma mulher de 30 anos. A denúncia já foi formalizada junto da Procuradoria da República e as autoridades confirmam que o processo segue em investigação, enquanto o suspeito aguarda os desdobramentos sob medidas cautelares.

De acordo com o relato apresentado pela vítima à televisão Miramar, o episódio ocorreu por volta das 19 horas, quando regressava do mercado em direcção à sua residência. A mulher afirma que foi abordada por um homem que estava acompanhado de Manuel “Parte Côco” e que, sob ameaças de morte, foi obrigada a subir numa motorizada. A partir desse momento, iniciou-se um percurso de medo e violência.

Durante o trajecto, segundo a denunciante, foram-lhe retirados dois telemóveis e uma quantia em dinheiro que levava consigo. A vítima conta que tentou gritar por socorro em vários momentos, mas as pessoas que se aproximavam desistiam ao reconhecerem “Parte Côco”, receando represálias. Esse clima de intimidação teria facilitado a acção dos agressores.

A mulher relata que foi levada para uma casa de pasto localizada na zona da Manga, um dos bairros mais movimentados da Beira. Nesse local, afirma ter sido brutalmente espancada e posteriormente forçada a manter relações sexuais contra a sua vontade. O depoimento descreve momentos de grande sofrimento físico e psicológico.

Depois do ocorrido, a vítima procurou ajuda e decidiu tornar o caso público, afirmando que temia pela própria vida. Familiares e vizinhos confirmam que ela chegou a casa em estado de choque e com sinais visíveis de agressão, o que reforçou a decisão de avançar com a denúncia formal.

Ouvido por jornalistas, Manuel “Parte Côco” apresentou uma versão completamente diferente. O suspeito negou as acusações de violação e de agressão física e declarou que mantém um relacionamento amoroso com a mulher há bastante tempo. Segundo ele, o encontro naquela noite teria sido consensual e motivado por questões pessoais entre ambos.

A declaração do acusado gerou ainda mais polémica, uma vez que a mulher é casada e mãe de três filhos. Grupos de defesa dos direitos da mulher alertam que este tipo de argumento é frequentemente usado para descredibilizar vítimas de violência sexual e pedem que as autoridades actuem com rigor e imparcialidade.

A Procuradoria da Beira confirmou que já foram iniciadas diligências para esclarecer os factos. Entre as medidas previstas estão a recolha de exames médicos, audição de testemunhas, análise de eventuais registos telefónicos e levantamento de imagens de câmaras de vigilância existentes na zona da Manga e arredores.

Especialistas em direito penal explicam que crimes desta natureza exigem investigação cuidadosa, para garantir justiça à vítima sem violar os direitos do suspeito. Em Moçambique, a legislação prevê penas pesadas para violação sexual, sobretudo quando associada a roubo e agressão física.

O caso reacendeu o debate sobre a segurança na cidade da Beira, onde moradores relatam aumento de assaltos e actos de violência, principalmente no período nocturno. Organizações da sociedade civil defendem maior presença policial nos bairros e a criação de mecanismos eficazes de protecção às mulheres.

Enquanto a investigação segue o seu curso, a vítima aguarda por justiça e acompanhamento psicológico. A opinião pública acompanha com atenção os próximos capítulos deste processo, que poderá tornar-se um marco no combate à violência baseada no género na região.

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